
Um vídeo interno, recentemente liberado pela Justiça da Carolina do Norte (EUA), trouxe à tona depoimentos de funcionários e ex-colaboradores do TikTok sobre possíveis riscos da plataforma para adolescentes. Nas imagens, que faziam parte de reuniões internas, alguns membros da equipe levantaram dúvidas sobre como o algoritmo poderia estimular comportamentos nocivos, como uso compulsivo, distúrbios alimentares e privação de sono.
Essas revelações contrastam com a posição oficial da empresa, que afirma investir continuamente em segurança digital e bem-estar de jovens.
O processo contra o TikTok
A ação judicial foi movida pelo então procurador-geral da Carolina do Norte, Josh Stein, em conjunto com outros estados norte-americanos. O argumento central é que o TikTok teria sido projetado para induzir o uso prolongado entre menores de idade, explorando sua vulnerabilidade e omitindo riscos à saúde mental.
O juiz Adam Conrad rejeitou a tentativa da empresa de manter o vídeo sob sigilo e de encerrar o processo, reforçando a necessidade de transparência. O atual procurador, Jeff Jackson, comemorou a decisão e declarou:
“As provas mostram que redes sociais prendem crianças em seus aplicativos para maximizar lucros, mesmo que isso prejudique sua saúde.”
O que dizem os funcionários no vídeo
Entre os trechos exibidos, estão comentários como:
Nicholas Chng, ex-analista de risco, disse se preocupar porque o design da plataforma pode incentivar conteúdos prejudiciais.
Alexandra Evans, ex-líder de segurança pública na Europa, reconheceu que o aplicativo tem “uso compulsivo embutido”.
Ashlen Sepulveda, ex-membro da equipe de segurança, relatou receio de que pesquisas por dieta e fitness levassem adolescentes a conteúdos sobre distúrbios alimentares.
PublicidadeBrett Peters, atual executivo do TikTok, admitiu que o objetivo central era manter usuários no app o máximo possível.
Resposta do TikTok
A empresa classificou a divulgação como “fora de contexto” e destacou que o material é de reuniões antigas. Em nota, reforçou que o TikTok hoje conta com mais de 70 recursos de privacidade e bem-estar para famílias e adolescentes, incluindo:
notificações desativadas à noite para menores;
limites automáticos de tempo de tela;
configurações de privacidade padrão mais rígidas para jovens;
recursos de “meditação guiada” voltados a reduzir o tempo excessivo de rolagem.
Além disso, em maio de 2025, a companhia anunciou um investimento de US$ 2,3 milhões em créditos publicitários para apoiar campanhas de conscientização em saúde mental conduzidas por ONGs e instituições internacionais.
Estudo reforça riscos
Pesquisas acadêmicas recentes dão respaldo às preocupações. Um estudo de 2025 apontou associação entre o uso frequente do TikTok e sintomas de ansiedade e depressão, especialmente entre jovens de até 24 anos e mulheres. Especialistas também relacionam o design do feed infinito e o algoritmo de recomendações à chamada “atenção fragmentada”, que dificulta concentração em estudos e atividades cotidianas.
Pressão política e ameaça de banimento
Nos Estados Unidos, o debate sobre o futuro do TikTok vai além da saúde mental. O aplicativo enfrenta a ameaça de ser banido do país caso a controladora chinesa, ByteDance, não venda sua operação americana até 17 de setembro de 2025. A incerteza aumentou após o governo Trump adiar sucessivamente a decisão e, paradoxalmente, lançar um perfil oficial na própria plataforma.
Enquanto isso, outros países, como Reino Unido, França e até Venezuela, já abriram ações semelhantes, reforçando o cerco global sobre os impactos sociais do TikTok.
Conclusão
O caso da Carolina do Norte se soma a uma crescente onda de processos e questionamentos que colocam o TikTok sob intensa pressão. A plataforma busca mostrar avanços em segurança digital, mas documentos e declarações internas sugerem que a empresa tinha consciência, há anos, de potenciais danos à saúde mental de adolescentes.
À medida que a data limite para o banimento nos EUA se aproxima, o TikTok terá de equilibrar sua popularidade entre jovens com a necessidade de provar que consegue oferecer um ambiente digital mais saudável e responsável.






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